quarta-feira, 22 de abril de 2009

Curativos


1- Conceito:


São cuidados dispensados a uma área do corpo que sofreu solução de continuidade.


2- Finalidades:


- Prevenir a contaminação;

- Promover a cicatrização;

- Proteger a ferida;

- Absorver secreção e facilitar a drenagem;

- Aliviar a dor.


3- Tipos de Curativos


-Aberto - É aquele no qual utiliza-se apenas o anti-séptico, mantendo a ferida exposta. Ex: Curativo de intracath, ferida cirúrgica limpa.


-Oclusivo - Curativo que após a limpeza da ferida e aplicação do medicamento é fechado ou ocluído com gaze ou atadura.


-Seco - Fechado com gaze ou compressa seca (não se usa nada na gaze)


-Úmido - Fechado com gaze ou compressa umedecida com pomada ou soluções prescritas.


-Compressivo - É aquele no qual é mantida compressão sobre a ferida para estancar hemorragias, eviscerações, etc.


-Drenagens - Nos ferimentos com grande quantidade de exsudato coloca-se dreno (Penrose, Kehr), tubos, cateteres ou bolsas de colostomia.


4 - Material:


Bandeja contendo:

- Pacote de curativo (pinças: 1 anatômica, 1 dente de rato, 1 Kelly, 1 Kocher), 1 tesoura.

Com 3 pinças: 1 anatômica, 1 dente de rato, 1 Kelly.

- Pacote de gazes;

- Esparadrapo, micropore;

- Frasco com anti-septico (o mais utilizado atualmente é o álcool a 70%);

- Éter;- Soro fisiológico;

- Cuba rim (para receber o lixo);

- Saco plástico para lixo (que vai envolver a cuba rim);

- Forro de papel, pano ou impermeável para proteger roupa de cama;

- Pomadas, algodão, seringas, ataduras, cubas (quando indicado)

- 1 ou 2 pares de luvas

-Deve-se usar máscara no procedimento


5 - Classificação das feridas:

a) Ferida asséptica: não contaminada. Ex: Feridas operatórias

b) Ferida séptica: contaminada. Ex: Feridas laceradas


Denominamos de:


-Ferimento aberto - Solução de continuidade. Ex: Incisão cirúrgica, laceração penetrante ou escoriação.

-Ferimento fechado - Não dá solução de continuidade. Ex: Contusão ou equimose.

-Ferimento acidental - Ferimento devido a um infortúnio.

-Ferimento intencional - Causado por incisão


6 - Inflamação- É uma reação anormal do corpo a qualquer tipo de ferimento. A resposta inflamatória ocorre em 3 fases: vascular, exsudativa e reparadora.


Fase Vascular - Caracteriza-se por hiperemia local, devido a vaso dilatação. Nesta fase chega ao local plasma, anticorpos, células sanguíneas. Ocorre processo fagocítico onde os leucócitos englobam as substâncias estranhas e células danificadas.


Fase Exsudativa - Ocorre formação de exsudato que são líquidos compostos por células sanguíneas, células de tecido danificado e corpos estranhos. Pode ser seroso, purulento (infecção), hemorrágico (eritrócitos). O acúmulo de exsudato nos espaços intersticiais causa edema e dor localizada.


Fase reparadora - Cicatrização do ferimento. Ocorre remoção das células teciduais lesadas pela regeneração de novas células e formação de tecido cicatricial.


7 - Tipos de cicatrização:


-Por primeira intenção: É a volta do tecido normal sem presença de infecção e as bordas do ferimento estão bem próximas. Pode ser usada sutura, materiais adesivos.

-Por segunda intenção - Ocorre quando não acontece aproximação das superfícies com presença de infecção prolongada. O processo de cicatrização necessita de grande quantidade de tecido de granulação para fechar o ferimento.

-Por terceira intenção - Ocorre quando é necessário fechamento secundário de uma ferida. Às vezes a ferida é aberta e suturada mais tarde ou é aberta por deiscência.


8 - Fatores que Afetam a Cicatrização Normal:


A idade, a nutrição, condições de vascularização, edema, inflamação local, hormônios, infecção e a extensão da lesão podem afetar a cicatrização normal.

Na cicatrização é comum encontrarmos hemorragias e infecção. Para auxiliar um paciente portador de uma ferida, o enfermeiro deve estar a par da causa, do tipo de ferida e quando esta ocorreu, assim como conhecer a natureza básica dos problemas de saúde e do plano geral de assistência médica do paciente.


9 - Procedimentos:


1 - Lavar as mãos.

2 - Preparar o Material.

3 - Explicar o procedimento ao paciente.

4 - Solicitar ou auxiliar o paciente a posicionar-se adequadamente.

5 - Expor a área a ser tratada.

6 - Colocar a cuba rim ou similar próximo ao local do curativo

7 - Abrir o pacote de curativo, de modo que o primeiro par fique próximo ao paciente.

1º Par: Kocher e Dente de rato

2º Par: Anatômica, Kelly e Tesoura (caso esteja presente no pacote)

8 - Dobrar a gaze com a pinça Kocher com auxilio da pinça dente de rato e embebe-la com éter (ou benzina).

9 - Segurar o esparadrapo do curativo anterior com a pinça dente de rato. Descolar o esparadrapo com o auxílio da pinça Kocher montada com gaze embebida em éter. (Isso facilita na retirada do esparadrapo diminuindo a dor do paciente)

10 - Remover o curativo e despreza-lo na cuba-rim, ou similar, evitando que as pinças toquem o mesmo.

11 - Remover as marcas de esparadrapo ao redor da ferida com a pinça Kocher.

12 - Iniciar a limpeza da área menos contaminada com o 2o par de pinças, utilizando soro fisiológico. Trocar as gazes sempre que necessário.

13 - Fazer aplicação do anti-séptico com auxílio da pinça Kelly.

14 - Proteger a ferida com gaze utilizando as pinças anatômica e Kelly.

15 - Fixar as gazes com esparadrapo.

16 - Deixar o paciente confortável e a unidade em ordem.

17 - Imergir as pinças e a tesoura abertas em soluça adequada.

18 - Lavar as mãos.

19 - Anotar na prescrição do paciente: hora, local, condições da ferida, soluções utilizadas.

terça-feira, 21 de abril de 2009

- 30 Imagens de Casos Clinicos - DSTs


Arquivo em PDF com 30 imagens de casos clínicos de doenças sexualmente transmissíveis.


Download aqui.


Arquivo encontrado no blog Material de Enfermagem.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Técnica de Aspiração de Sistema Aberto em Pacientes Traqueostomizados e Intubados




Definição

É a retirada de secreções endotraqueais via tubo endotraqueal ou traqueostomia, de forma asséptica, por meio de um sistema de sução (aspirador elétrico ou rede de vácuo).

Objetivos
Manter as vias aéreas livres e permeáveis, garantido uma ventilação e oxigenação adequadas a fim de prevenisr as complicações no quadro clínico geral do paciente.

Recomenda-se

-O decúbito não deverá ser elevado exceto com contra indicação médica específica.
-Proteger os olhos do paciente, durante a aspiração, para evitar respingos de secreção e consequentemente conjuntivite
- O SF 0,9% deve ser utilizado somente em casos necessários (secreção espessa e rolhas)
-O estímulo da tosse deve ser realizado para promover expectoração e facilitar a aspiração.
-Aspirar o tubo endotraqueal somente quando necessário e nunca como rotina.
-A técnica de aspiração traqueal deve ser feita de preferência por duas pessoas, para evitar a contaminação do sistema tubo/circuito.
-Caso o indivíduo que estiver realizando a aspiração for canhoto, a descrição deverá ser invertida, ou seja, onde diz mão direita considerar esquerda e vice versa.
-Não aspirar por mais de 15 segundos e deixar intervalos de alguns segundos entre cada aspiração e nestes intervalos administrar oxigênio s/n.

Procedimento

-Realizar a higienização das mãos
-Providenciar material necessário:
-seringa
-um par de luva estéril
-cateter de aspiração
-gazes
-SF 0,9% 100 ml
-óculos de proteção
-máscara
-aspirador elétrico ou rede de vácuo
-extensão de látex/silicone
-Explicar o procedimento e a finalidade ao paciente
-Proteger os olhos do paciente de secreções
-Elevar decúbito em 30º a 45º
-Colocar máscara e óculos de proteção
-Testar o funcionamento do aspirador
-Aspirar em uma seringa de 2 a 5 ml se SF 0,9%
-Abrir o pacote do cateter de aspiração, de forma a expor apenas a válvula, a qual deverá ser conectada à fonte de sucção, mantendo as demais partes no invólucro
-Calçar luva estéril
-Retirar o invólucro com a mão esquerda, segurando o cateter com a mão direita
-Ligar a fonte de sucção com a mão esquerda e desconectar a cânula de intubação ou traqueal do ventilador
-Estimular o reflexo de tosse
-Introduzir o cateter de aspiração na cânula de intubação ou traqueal durante a inspiração, sem sucção, até o ponto de resistência
-Retirar o cateter de aspiração com movimentos circulares suaves
_manter o cateter por no máximo 15 segundos
-Instilar SF conforme a característica da secreção
-Repetir as aspirações quantas vezes forem necessárias, sempre intercalando com a ventilação do paciente
-Desconectar o cateter da fonte de aspiração
-Lavar o sistema de aspiração com SF 0,9%
-Desligar o aspirador
-Proteger a extremidade da fonte de sucção com invólucro do cateter de aspiração
-Observar as características da secreção (espessa, fluida, odor, etc)
-Fazer as anotações de enfermagem
-Desprezar a secreção aspirada e, lavar o recipiente com água e detergente enzimático.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Ausculta torácica e cardíaca

(Antes da popularização do estetoscópio, no fim do século XIX, o médico auscultava o paciente simplesmente colando o ouvido em seu tórax. Caricatura de Draner, pseudônimo de Jules Renard (1833-?) in "Le Charivari: Variations médicales" (1880-1890). Fonte: History of Medicine Division. © National Library of Medicine. )



Programa educacional em ausculta torácica (Unifesp)

O Objetivo deste programa educacional é oferecer uma ferramenta para estudo, por meio da Internet, de sons cardíacos e pulmonares em situações fisiológicas e patológicas. Dessa maneira alunos de medicina e enfermagem, bem como residentes e outros interessados, podem treinar sua ausculta de uma forma confortável e repetir o estudo quantas vezes necessário.






segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Importância da Higienização das Mãos



Recentemente, o termo “lavagem das mãos” foi substituído por “higienização das mãos” devido à maior abrangência deste procedimento. O novo termo se refere à higienização simples, a higienização anti-séptica, a fricção anti-séptica e a anti-sepsia cirúrgica das mãos. São estas que constituem a principal via de transmissão de microrganismos entre os seres humanos.
A pele é um reservatório de diversos microrganismos, que podem se transferir de uma superfície para outra, por meio de contato direto, ou indireto, através do contato com objetos e superfícies contaminados. A urina não contaminada não contém flora bacteriana. Nestas condições, apenas ela apresenta apenas substâncias derivadas do metabolismo urinário. Já as fezes, apresentam uma flora bacteriana em condições de normalidade e estas são fundamentais para o perfeito funcionamento do intestino. Porém, quando eliminadas, podem se tornar patogênicas para o ser humano.
Através das mãos contaminadas pode haver a disseminação de microorganismos como bactérias (estafilococos), vírus (Rotavirus), fungos (Cândida albicans) e parasitos (giárdias, amebas e ascaris) e estes podem vir a transmitir doenças como resfriado, gripe, diarréia, catapora etc.
A infestação ocorre geralmente sem o indivíduo perceber, em diversas ocasiões do dia-a-dia, como por exemplo:
- No uso do banheiro com urina e/ou fezes contaminadas manipulando descargas, pias e maçanetas diversas;
- No uso do banheiro ao receber na genitália respingos de água do vaso sanitário;
-Realizando a higiene íntima com chuveirinho de uso público (contaminado) ou no uso do papel higiênico sentido ânus-vulva;
- Ao utilizar ônibus, telefones e computadores (especialmente aqueles de uso público);
-Ao partilhar o mesmo sabonete, toalha ou peça íntima;
-Ao fazer lanches ou refeições (especialmente fora de casa); etc
Diante disso, é essencial que as pessoas tomem conhecimento da importância da higienização das mãos e façam desse ato um “costume”. Assim, algumas medidas são essenciais para que não haja a contaminação: Deve-se evitar o uso de sabonetes em barra, pois algumas bactérias e/ou parasitos se mantêm vivos nos mesmos, contaminando em vez de higienizar as mãos; caso não se tenha outra opção, o uso do sabonete em barra deve ser feito somente durante 12 horas devendo ser o mesmo também lavado. A mulher deve fazer a higiene da vulva com água corrente e lavar as mãos com água e sabão líquido neutro. Deve ter cuidado ao realizar a higiene e fazê-la da frente para trás, evitando, assim, levar bactérias para a vulva - causa freqüente de infecções, uma vez que a vulva está próxima e no mesmo nível do ânus.
Após evacuar, o homem deve fazer a higiene anal com água corrente usando um sabonete líquido neutro. O uso de papel higiênicodeve ser evitado pois o mesmo por mais que seja de boa qualidade agride as pregas anais podendo causar irritações. Na realidade o papel higiênico só dá a impressão de limpeza, mas deixa a flora bacteriana fecal em área não adequada e sendo mais prejudicial às mulheres pela possibilidade de contaminação vulvar.

A higienização das mãos tem como finalidades: remoção de sujidade, suor, oleosidade, pêlos, células descamativas e microbiota da pele, interrompendo a transmissão de infecções veiculadas ao contato; prevenção e redução das infecções causadas pelas transmissões cruzadas.
Segundo orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, devemos higienizar as mãos com água e sabonete nas seguintes situações:
-Quando as mãos estiverem visivelmente e sujas ou contaminadas com sangue e outros fluidos corporais, como por exemplo suor, urina e fezes;
-Ao iniciar e terminar um turno de trabalho;
-Ao chegar em casa;
-Antes e após ir ao banheiro;
-Antes e depois das refeições;
-Antes de preparo de alimentos;
-Antes de preparo e manipulação de medicamentos;
-Antes de manipular crianças.

Na higienização das mãos, deve-se observar ainda as seguintes recomendações:
• Mantenha as unhas naturais, limpas e curtas;
• Não use unhas postiças quando entrar em contato direto com as pessoas;
• Evite o uso de esmaltes nas unhas;
• Evite utilizar anéis, pulseiras e outros adornos quando tocar um doente;

As orientações acima devem fazer parte do nosso dia-a-dia e serem encaradas com naturalidade. Com o uso diário dessas orientações pode-se evitar a proliferação de diversas doenças, promovendo também o bem-estar e conforto das pessoas.

Referência:

BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Higienização das Mãos em Serviços de Saúde. Brasília, 2007. Disponível em: . Acesso em: 31/01/2009.

(Artigo escrito pela Profa. do curso de Enfermagem do Unipê Ms. Khivia Kiss da Silva Barbosa)


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Como calçar luvas estéreis



O procedimento de calçar um par de luvas estéril, requer técnica correta, para evitar
a contaminação da luva, fato este que pode ocorrer com facilidade, por isso requer muita
atenção.
Atenção, esta técnica sofre pequenas variações quando associadas ao uso de
aventais estéreis, mas não foge da regra.

As luvas estéreis, devem ser utilizadas sempre que ocorrer a necessidade de manipulação
de áreas estérieis. Existem vários procedimentos que exigem a utilização de
luvas estéries, entre eles os procedimentos cirúrgicos, aspiração endotraqueal, curativos
extensos que se tornam difíceis realizar somente com o material de curativo. Resumindo,
em qualquer ocasião que for necessário o auxílio manual em locais estéreis ou em lesões,
usa-se as luvas esterilizadas.

Podem ser encontradas nos tamanhos P, M ou G, ou até mesmo em tamanhos
numeradas como 6.0, 6.5, 7.0 até 9.0.

Aqui você encontra o procedimento de colocação da luva estéril.






quarta-feira, 8 de abril de 2009

Banho no leito



Materiais necessários :
sabão líquido;
esponja;
toalha;
loção para fricção das costas;
pente e/ou escova;
camisola ou pijama limpos;
hamper.

Preparação :

-Utensílios
encher a bacia com a água quente;
pôr a bacia e o sabão na cabeceira;

colocar a esponja e a toalha em local de fácil acesso.

-Paciente
retirar as cobertas do paciente;
tirar a camisola ou pijama e colocar no hamper. Caso as roupas pertençam ao paciente, colocá-las em um saco com identificação.


Procedimento :

umedecer e ensaboar a esponja, sem encharcar, para não ficar pingando;
lavar, enxaguar e enxugar o corpo normalmente.
Sugere-se a seguinte ordem:

rosto, orelhas e pescoço;
braços e mãos (na bacia);
regiões axilares e torácica;
abdômen;
pernas e pés (na bacia, caso seja possível);
costas, utilizando a loção de fricção;
região perineal.


Considerações especiais :

Durante o banho, deixar descoberta apenas a parte a ser higienizada;
Caso a água esfrie ou fique com muito sabão, deve-se mudá-la;
Na lavagem, utilizar pressão, com firmeza;
Examinar a pele caso existam vermelhidão, abrasão, erupções ou outras anomalias;
Certificar-se de que a porta do quarto está fechada, para garantir a privacidade do paciente.